Para dar continuidade à evolução do MEX, vou iniciar uma série de aplicações do modelo em situações de projetos fictÃcios e reais. A idéia é encontrar maneiras diferentes de utilização do modelo, e claro, formas de aperfeiçoá-lo. Neste artigo, será mostrada uma forma de utilizá-lo como ferramenta de elicitação de requisitos.
A tÃtulo de recapitulação, o MEX é um modelo genérico que visa explicitar as interrelações das diversas variáveis que influenciam a experiência do usuário. Essas variáveis, ou elementos, são: Contexto, Tarefas, Momento, IndivÃduo, Artefatos e Interações. O intuito é ajudar na análise (ex.: elicitação de requisitos) e projeto dessas experiências.
Veja aqui informações mais detalhadas sobre o MEX.
O exemplo de aplicação mostrado neste artigo, o primeiro da série, é uma adaptação do que elaborei para meu TCC. Trata-se de uma aplicação fictÃcia para dispositivos móveis, através da qual procuro demonstrar o MEX como ferramenta de elicitação de requisitos focada na experiência do usuário.
Definição do exemplo: Aplicativo “Mobile Banking 1.0″
O objetivo do aplicativo Mobile banking 1.0 é permitir que usuários de dispositivos móveis realizem as transações bancárias mais comuns, como consulta de extrato, saldo, realização de transferências e pagamentos diversos.
Primeiro passo: Análise da experiência do usuário
Para se identificar os requisitos decorrentes da experiência do usuário, os elementos do MEX são analisados um a um, utilizando-se as diversas técnicas tradicionais de IHC (análise de tarefas, personas, cenários, etc). Como o foco deste artigo é demonstrar uma utilização do MEX, e não as técnicas relacionadas, este projeto exemplo se utiliza de estudos simples e resumidos.
| IndivÃduo | Técnica utilizada: modelagem de usuários e personas |
| Em termos gerais, assumiu-se que os usuários do mobile banking são proprietários de celular pós-pago, bom nÃvel de instrução e sofisticados tecnologicamente. Para se ter uma melhor idéia de suas caracterÃsticas, três personas são criadas adiante:
Persona 1: Marcos Marcos, 32 anos, casado e pai de dois filhos, é um gerente de TI de uma grande empresa alimentÃcia e fã de gadgets. Entusiasta de novas tecnologias, para ele o aparelho móvel é bem mais do que um meio para falar com outras pessoas; é um estilo de vida. Persona 2: Carlos Carlos, um jovem e promissor engenheiro civil de 26 anos, é o tipo de sujeito pragmático, sem rodeios. É exigente, mas confia nas tecnologias simples, que facilitem seu trabalho. Por isso, adora seu celular, que além de bom e barato, nunca o deixou na mão. Persona 3: Joana Profissional de atendimento de agência de comunicação que não se organiza está em maus lençóis. É o que pensa Joana, 29 anos, que prestes a concluir a pós-graduação vive a tÃpica correria estudos x trabalho x famÃlia. Para dar de conta de seu complicado dia-a-dia, ela conta com seu inseparável smartphone, diariamente sincronizado com o outlook. |
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| Atividades | Técnica utilizada: modelagem de tarefas |
Baseado em uma análise das principais necessidades dos usuários do mobile banking, optou-se por se estudar a seguinte amostra de atividades:
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| Contexto | Técnicas utilizadas: observação e cenários |
| Os ambientes onde essas experiências ocorrem são locais imprevisÃveis, públicos ou privativos, sujeitos a todo tipo de variação situacional. Para ilustrar essas situações, são definidos os seguintes cenários (usando-se as personas previamente definidas):
Cenário 1: realizar pagamentos Marcos, a caminho do trabalho, percebe um problema mecânico no carro e entra na primeira oficina que avista. Enquanto espera o conserto do carro, olha para o relógio e vê que não dá mais tempo fazer o pagamento que sua esposa pediu para ele fazer até às 9h. Nesse caso, ele decide pagar ali mesmo, na oficina, usando seu smartphone. Após acessar o serviço do banco, pega o boleto no bolso, insere o código de barras e confirma o pagamento. Cenário 2: Consultar saldos Carlos está no aeroporto e quer saber se sua empresa já depositou a ajuda de custo para sua viagem. Como é algo que considera simples e ele tem pressa, não quer usar o notebook. Enquanto anda em direção à sala de embarque, pega seu celular, acessa o serviço do banco e verifica o saldo da conta. Cenário 3: realizar transferências Joana está em uma livraria quando recebe uma ligação de Márcia, a organizadora do churrasco do pessoal da agência, lembrando-lhe da cota. Como o churrasco já é no dia seguinte, o jeito é usar o celular para transferir o valor, ali mesmo. Joana então pega os dados bancários da Márcia (guardando-os no próprio celular) acessa o serviço do banco e faz a transferência. |
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| Artefatos | Técnica utilizada: observação |
A diversidade de ambientes e situações implica em uma diversidade de artefatos. No entanto podem-se colocar como principais componentes das experiências coisas como:
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| Interação | Técnica utilizada: observação |
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| Momentos | Técnica utilizada: observação |
| Dada à imensa variedade e complexidade dos contextos, interrupções da experiência poderão ser muito freqüentes. Isso pode impedir a conclusão e até mesmo o desenvolvimento da experiência, na maioria dos casos. Por outro lado, devido à seriedade das transações e conseqüentemente a atenção dispendida pelo usuário, é provável que em alguns casos se alcance o estado de flow.
Desta forma, a experiência de uso do mobile banking está dividida em:
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Segundo passo: Definição de requisitos
Neste ponto, a tarefa consiste em extrair os requisitos apropriados de cada variável MEX acima estudada. A tÃtulo de exemplo, vamos gerar apenas cinco requisitos:
- [REQ01] o sistema deve dificultar a visualização de dados confidenciais por terceiros que estejam próximo ao usuário.
- [REQ02] o sistema deve permitir salvar o estado da transação para posterior conclusão;
- [REQ03] o sistema deve permitir recuperação de dados da memória volátil do aparelho e de arquivos.
- [REQ04] o sistema deve permitir a entrada de dados via leitura de código de barras.
- [REQ05] o visual do sistema deve ser baseado em iconografia foto-realÃstica e estilo sofisticado (linhas retas com cantos arredondados).
A matriz de rastreabilidade abaixo mostra a partir de quais elementos do MEX cada requisito foi gerado.
| REQ # | indivÃduo | atividades | contexto | artefatos | interação | momentos |
| 01 | X | X | ||||
| 02 | X | X | X | X | ||
| 03 | X | X | ||||
| 04 | X | X | X | |||
| 05 | X | X |
Pronto, alcançamos nosso objetivo: já temos uma (intencionalmente pequena) lista de requisitos para nosso projeto fictÃcio. É importante lembrar que tratam-se de “requisitos do usuário”, ou seja, a lista completa de requisitos do projeto envolveria aspectos ligados ao negócio, tecnologia, legislação, etc. Outro ponto importante é que esta não é a única forma possÃvel de utilização do MEX na elicitação de requisitos. Muitas variações de técnicas podem ser tentadas. O importante, sempre, é observar as interrelações entre as variáveis.
Até a próxima!



1 Comentário
1: Story mapping no IHC2010 &hellip | 10.10.2010 às 13:56
[...] Embora tenha sido desafiador falar de tecnicas ágeis em um evento acadêmico, fiquei bastante feliz em conhecer e ver a produção de outros colegas, que caminham em direções parecidas, como o @carlbberg que apresentou uma ferramenta interessante para modelagem de usuários e tarefas em ambientes ágeis, o MEX Experience Board. [...]
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